Após ataques a bancos, moradores de cidades do Vale vivem transtornos

Servidores públicos, comerciantes, aposentados e clientes, são obrigados a viajar por quilômetros até agência mais próxima.
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Agência do Itaú em Virgem da Lapa não tem previsão de ser reaberta

 

Pouca gente imagina os transtornos que a falta de agências bancárias  e caixas eletrônicos podem causar aos moradores de uma cidade ou a seus visitantes.

No Vale do Jequitinhonha (MG), em especial em Coronel Murta ;Virgem da Lapa e Rubelita, a falta desses estabelecimentos e dispositivos de conforto estão provocando revolta, indignação e até mudanças de hábitos dos moradores. Nestas cidades, as agências bancárias existentes, foram explodidas por assaltantes e ainda não foram reabertas.

Esta situação vem se repetindo em outros municípios da região. Em geral, são cidades bem pequenas, com menos de 10 mil habitantes e pouca circulação de dinheiro. É o que acontece  também em Rubelita, de 7.700 habitantes, distante 47 quilômetros de Coronel Murta. A única agência bancária da cidade, também do Itaú, está fechada desde julho de 2016, quando foi alvo de explosão por parte de um bando fortemente armado.

Nestes municípios, os únicos canais de acesso aos serviços financeiros são as lotéricas, os Correios, cooperativas de crédito ou estabelecimentos comerciais que atuam como correspondentes bancários. Porém, há limite para saques e pagamentos de boletos. Isolados, os moradores são obrigados a viajar quilômetros até cidades vizinhas para sacar salários e aposentadorias ou fazer depósitos.

Em março de 2017 agências dos Correios e do Banco Itaú em Coronel Murta; foram explodidas por bandidos. Ambas permanecem fechadas.

Em março de 2017 agências dos Correios e do Banco Itaú em Coronel Murta; foram explodidas por bandidos. Ambas permanecem fechadas.

Agência dos Correios em Coronel Murta

Após sofrer dois ataques de criminosos, agência do Itau em Coronel Murta, foi fechada.

Após sofrer dois ataques de criminosos, agência do Itau em Coronel Murta, foi fechada.

 

Depois de sofrer dois ataques, a única agência  bancária que atendia o município de Coronel Murta; não será mais reaberta. A agência dos Correios também foi alvo de criminosos e permanece fechada.  Com isso o pagamento dos servidores públicos e aposentados, e movimento financeiro do comércio local, foi transferido para Araçuaí, cidade vizinha, a 47 km de distância.

 

Fechamento de agências vizinhas vem provocamento congestionamento de agências bancárias em Araçuai.

Fechamento de agências vizinhas vem provocamento congestionamento de agências bancárias em Araçuai.

 

Ao chegar  em Araçuai,  clientes reclamam das filas e até mesmo da falta de dinheiro nos caixas eletrônicos. A cidade possui 6 agências bancárias.

Neusa Barbosa, servidora municipal em Coronel Murta, reclama dos transtornos.

Neusa Barbosa, servidora municipal em Coronel Murta, reclama dos transtornos.

“É muito transtorno. O salário já é pouquinho e com esta situação, temos que pagar R$ 30 reais pelo táxi, isso sem falar nas despesas com lanche e nos riscos de assalto”; lamenta a servidora municipal da prefeitura de Coronel Murta, Neusa Barbosa de Sousa, 50 anos. “ Muita gente está optando por entregar o cartão bancário a um taxista de confiança, que cobra R$ 10 para fazer os serviços bancários”; conta a servidora.

Taxistas em Coronel Murta fazem transporte de passageiros e realizam serviços bancários para os moradores .

Taxistas em Coronel Murta fazem transporte de passageiros e realizam serviços bancários para os moradores .

Para não perder clientes, proprietários de mercearia mantêm antiga tradição das cadernetas.

Para não perder clientes, proprietários de mercearia mantêm antiga tradição das cadernetas.

 

Em  Coronel Murta, comerciantes optaram pelo uso das cadernetas para anotar as compras dos clientes, um antigo hábito dos moradores, fundamental para que o comércio não pare.

“Fazemos as anotações na base da confiança. Uma fica com a gente e a outra com o cliente. Hoje até para achar a caderneta para comprar é difícil. ”, revela João Tavares Júnior, 52 anos, proprietário de uma mercearia na cidade.

 

Açougueiro Ronaldo Mariano reclama que o comércio em Coronel Murta acabou.

Açougueiro Ronaldo Mariano reclama que o comércio em Coronel Murta acabou.

 

A mesma medida foi adotada pelo açougueiro Ronaldo Mariano, de 52 anos. “Faço as anotações dos fiados em um caderno.Às vezes é difícil receber”, reclama.

Ele trabalha com a venda de carnes desde os 13 anos. “ Antes do fechamento do banco, eu matava três bois por semana. Hoje mato um de 15 em 15 dias. O comércio acabou. Ninguém compra, ninguém vende”, reclama o açougueiro.

Desde o ano passado, vem sendo ventilada a instalação de uma agência do Sicoob-Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil – na cidade. ” Até ajudamos a conseguir clientes. Já existem mais de 300. Mas até o momento, não existe nada de concreto”, lamenta o comerciante João Tavares Júnior.

 

Corte de custo e falta de segurança

Interior da agência do Bradesco em Virgem da Lapa ficou completamente destruído.

Interior da agência do Bradesco em Virgem da Lapa ficou completamente destruído.

 

Entre os principais motivos para o encolhimento da presença bancária no país está a reestruturação dos bancos, que entraram na onda de corte de custos e perderam o interesse em manter agências pouco rentáveis. Em vez de abrir uma agência em cada esquina, agora os bancos focam seu crescimento na expansão dos canais digitais.

Mas o fechamento de agências também foi motivado pela ocorrência de assaltos violentos que se propagou também pelo interior do país.

Nos últimos 2 anos, mais de 100 cidades deixaram de ter qualquer dependência bancária, segundo dados do Banco Central.

 

Virgem da Lapa

 

Operário trabalha na reforma da agência do Bradesco em Virgem da Lapa

 

Em Virgem da Lapa, as duas agências que existiam na cidade, a do Bradesco e Banco Itaú, foram explodidas este ano. Segundo os comerciantes, as vendas caíram e até estabelecimentos tradicionais foram fechados. “ Houve uma queda violenta no comércio”, admite a lojista Delza Prates.

Para  o comerciante Jeferson Alves Barroso, vice-prefeito e membro da Associação Comercial de Virgem da Lapa, é preciso discutir as estratégias de segurança da cidade. “ Temos um efetivo  policial pequeno e muitas vezes os policiais saem para levar presos para  Araçuaí ou Pedra Azul e a cidade fica completamente desguarnecida”; revela o vice-prefeito.

O Bradesco informou que já houve uma análise técnica que apontou para a viabilidade da manutenção da agência bancária na cidade.  O interior do  prédio onde o banco funcionava ficou completamente destruído. A agência está sendo reformada.

“Vamos reabrir com algumas mudanças, dentro de no máximo 2 meses”, garante Soraia Vitoriano Honório, gerente da agência Bradesco.

Por enquanto não há uma data para o retorno do funcionamento normal do  banco Itaú na cidade.

Reação

Minas Gerais registra média de dois assaltos contra instituições financeiras a cada cinco dias. Índice que, embora alto, é menor que o do ano passado, quando ocorreram 50 roubos no mesmo período, de acordo com a Polícia Militar.

Policiais civis, militares e agentes do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) cumpriram, na manhã desta terça-feira, (17) pelo menos 67 mandados judiciais contra suspeitos de atuarem na explosão de caixas eletrônicos em quatro cidades da Região Norte do estado e Vale do Jequitinhonha.

A força-tarefa cumpre 16 mandados de prisão preventiva e nove de prisão temporária. Outras 42 ordens de busca e apreensão também foram expedidas. Os mandados são cumpridos em Montes Claros, Bocaiúva, Francisco Sá e Janaúba.

Além de atuarem na explosão de caixas eletrônicos de instituições financeiras, os investigados também são suspeitos de latrocínio e posse e porte de armas de uso restrito. Conforme o Ministério Público, na prática dos crimes eram usados veículos blindados, fato que nomeou a operação.

 

Fonte: Sérgio Vasconcelos – Gazeta de Araçuaí

 

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